O Prêmio Nobel da Paz de 2006 conferido ao banqueiro Muhammad Yunus dono do Grammeen Bank de Bangladesh causou alguma surpresa na comunidade internacional, acostumada a visualizar na maioria daqueles homens de negócios interesses voltados exclusivamente para suas próprias instituições.
Parece que a história do banqueiro bengalês vem contrariar tais opiniões. Torna-se necessário conhecer um pouco de seus fatos. O Grammen Bank se especializou em trabalhar com clientes de baixa renda. Esse micro crédito ajudou milhares de pessoas a saírem da miséria e contribuiu para estimular a paz na região. O comitê de premiação enfatizou: “ A paz duradoura não pode ser atingida a menos que grandes grupos da população encontrem formas de sair da pobreza”; o micro crédito é uma das soluções.
O "banqueiro dos pobres" como é conhecido Muhammad Yunus, um economista de 65 anos, fundou o seu banco em 1976. Ele e sua instituição foram aclamados por sua política inovadora de criar o desenvolvimento econômico e social a partir da base ao lançar o micro crédito na sua região.
Com a maioria dos clientes sendo mulheres, os créditos são normalmente utilizados na compra de animais de criação e telefones móveis distribuídos em regiões remotas, sem outro meio de comunicação.
O Banco foi pioneiro em fornecer recursos àqueles que normalmente não tinham acesso às instituições financeiras de grande porte. O credor não oferece garantias e prevalece a confiança nos negócios.
Por meio de interessante estratégia, são definidos grupos de cinco candidatos: dois beneficiados recebem o empréstimo, enquanto os outros três aguardam os resgates para que possam receber os valores, em média de US$200.
O Grammeen Bank tem 6,6 milhões de clientes, dos quais 97% são mulheres e atua não somente em Bangladesh mas também na África, Oriente Médio e no restante da Ásia, alcançando 11 milhões de pessoas em 22 países, fornecendo dinheiro para a casa própria e para o financiamento da irrigação e da pesca.
Para o presidente do Comitê Nobel, Olé Danbolt Mjoes o micro crédito é uma contribuição importante e acrescentou: “Yunus é um cara esperto”.
Contemplamos, portanto uma nova acepção do papel dos Bancos na sociedade contemporânea, qual seja a preocupação de promover o engajamento de populações menos favorecidas para que possam desenvolver seus direitos de cidadãos, através do atendimento específico para o acesso ao crédito.
No Brasil, típico desta nova mentalidade é o apoio do Banco Máxima que deverá destinar em 2007 até 5% de seu produto crédito consignado para causas sociais, conforme protocolo de intenções firmado com a entidade do terceiro setor Instituto Percepções em parceria com a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), visando a implantação de quadras para o desenvolvimento de esportes e educação entre jovens na faixa de 07 a 17 anos.
Fabiano Lisboa é Advogado, Bacharel em Ciências Contábeis, Ciências Estatisticas e articulista do Instituto Percepções de Responsabilidade Social contato@percepcoes.org.br
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