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Eduardo e seu exemplo de superação.
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Estudante faz monografia em áudio


Em uma cadeira de rodas, com dificuldade para escrever e apenas 20% da visão, o estudante de jornalismo Eduardo Silva Purper, 22 anos, encontrou uma forma de fazer a monografia do curso sem que tivesse que pedir para alguém digitá-la: em áudio. Quando terminar a faculdade, no ano que vem, ele será o primeiro jornalista do Rio Grande do Sul portador de paralisia cerebral, segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do estado.

“A idéia foi da minha professora - que depois se tornou minha orientadora -, pois eu não consigo ler. As coisas que eu faço são todas de memória para não precisar escrever também", conta Purper, que está no sexto semestre do curso do Centro Universitário Metodista do Instituto Porto Alegre (IPA).

O trabalho intitulado “Análise semiológica de narrações de futebol” será apresentado e avaliado por uma banca de professores às 15h desta terça-feira (15), no IPA, em Porto Alegre.

A paixão pelo futebol é antiga. Aos 14 anos ele escreveu o livro “Purper é gol”, que está à disposição nas bibliotecas do IPA. "Na época eu tinha mais habilidade do que hoje para escrever porque eu treinava mais. Com a canetinha acabei escrevendo mais de cem páginas durante as sessões de terapia ocupacional, que foram reduzidas para 64 no livro", explica o jovem.

Ajuda da família e empenho

Purper conta com a família e a memória para acompanhar o curso. "Eu sento na frente e presto muita atenção no que os professores falam. Em casa, o meu pai lê os textos em voz alta e eu memorizo", diz ele que faz provas orais na faculdade.

O pai, o aposentado Ricardo Purper, leva o filho todo dia na faculdade e fica por perto durante o período de aula. "Sempre foi assim. Minha família sempre me ajudou e me incentivou a fazer o que eu podia apesar das minhas dificuldades. Faço fisioterapia desde os nove meses de idade e caminho com ajuda", diz o estudante que tem quatro irmãos.

Para fazer o trabalho da faculdade, o estudante desenvolveu um método. "Na monografia, em vez de pedir para o meu pai sublinhar nos livros o que eu achava importante, eu pedia para ele gravar. As gravações substituíram tudo", diz e acrescenta que a narração do trabalho é feita por ele. "Eu também usei trilha sonora na introdução e entre os capítulos e nas citações, para diferenciar, é a voz do operador de áudio", explica.

Segundo a orientadora do trabalho, a professora Mariceia Benetti, o estudante sempre acreditou que conseguiria concluir o projeto e se empenhou muito para atingir o objetivo. “Mesmo com suas limitações físicas ele nunca teve medo do desafio, foi excelente, pois cumpriu com todos os processos propostos e sempre ia além das expectativas”, diz em nota divulgada no site da universidade.

Estágio e palestras

Enquanto não se forma, o jovem que quer trabalhar com jornalismo esportivo ou político faz estágio na rádio da universidade. "Eu brinco com os meus amigos que se só existisse rádio no curso, eu não me incomodaria. Sou um ouvinte muito assíduo e quero trabalhar com isso", conta.

Purper também participa de palestras de uma ONG sobre inclusão de deficientes em escolas e universidades.

Fonte: G1





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