Nos tempos da medicina baseada em evidências científicas, coincidentemente com o evento olímpico, deparei-me com um livro sobre medicina oriental. O tipo de formação médica que tive nunca deixou espaço para que buscasse a medicina alternativa, particularmente a oriental, para o tratamento de meus pacientes.
A medicina chinesa surpreende, logo de início, pela longevidade, pelo menos de dois mil anos. Baseia-se nos conceitos de yin, yang, Qi, meridianos e muitos outros. O termo Qi significa energia vital, que percorre trajetos conhecidos como meridianos. O bloqueio da circulação do Qi pelos meridianos é a causa de muitas doenças. Em acupuntura o objetivo é recuperar a circulação normal da energia vital.
O quê há 30 anos era tido como exótico passou a ser estudado através de pesquisas que procuram correlacionar os conhecimentos orientais com as evidências clinicas ocidentais. O Painel Consensual de 1997 do National Institute of Health e o US Food and Drug Administration (FDA) consideram a acupuntura segura desde que realizada por profissionais qualificados, utilizando agulhas estéreis. O mesmo Painel, coloca que as evidências a favor da acupuntura seriam equivalentes às dos tratamentos convencionais, como os que utilizam os anti-inflamatórios não-esteroidais e injeções de corticóides. Contudo muitos destes últimos foram retirados do mercado após algum período de comercialização por apresentarem efeitos colaterais severos, enquanto que na medicina oriental, as repercussões negativas do tratamento parecem bem menos comuns. Além disso, alguns típicos estudos ocidentais, randomizados e controlados, sugerem que a acupuntura pode ser um tratamento adjuvante eficaz para os esquemas terapêuticos convencionais para abordagem das artrites e fibromialgia, por exemplo.
Na realidade, apesar da carência de dados científicos que assegurem a eficácia da medicina oriental, não é sensato rechaçarmos a sua utilização, uma vez que a nossa capacidade de avaliação da qualidade de sua ação, ainda esta aquém da ideal.
Sendo assim, deixei de ser um cético quanto aos conceitos da medicina chinesa, e resolvi acompanhar as palavras de Confúcio, principal filósofo chinês: “o conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância.”
Dr. Leonardo Sá é formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE – UERJ) é mestre em Otorrinolaringologia, também pela UFRJ. Assumiu a chefia do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Badim. Além disso, desde 2004 atua como médico e professor substituto do serviço de otorrinolaringologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto. É membro da Comissão de Ensino, Treinamento e Residência da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL–CCF). Em 2003 se tornou sócio da clínica SINUS, onde atende seus pacientes. Sua importância no meio médico pode ser avaliada também pelos inúmeros capítulos publicados em livros e os diversos artigos editados em revistas, como a do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e a Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. E ainda há os resumos selecionados em eventos nacionais e internacionais - drleonardosa@percepcoes.org.br
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